A África Ocidental sempre foi alvo da atenção das Na- ções Unidas, mas só recentemente a comunidade interna- cional reconheceu a criminalidade organizada como um problema importante na região. Este reconhecimento de- riva, essencialmente, de um único fluxo de contrabando – a cocaína - um fluxo tão vasto que o seu valor por gros- so à chegada à Europa excederia os orçamentos da segu- rança nacional de muitos países na África Ocidental. En- quanto que a ameaça da cocaína é evidente, existem mui- tas outras formas de criminalidade organizada que ame- açam a estabilidade na região. Estas ameaças são tanto a causa como a consequência da governação frágil, uma di- nâmica explorada no presente relatório.

É preciso fornecer algum contexto histórico para se com- preender o fluxo da cocaína. Na última década, o mer- cado mundial da cocaína sofreu uma mudança dramáti- ca. A procura pela cocaína nos Estados Unidos tem vin- do a diminuir a longo prazo, com um decréscimo parti- cularmente acentuado depois do México ter implementa- do uma nova estratégia de segurança nacional, em 2006. Mas a procura pela cocaína na Europa duplicou na últi- ma década, e esta droga é mais cara na Europa do que nos Estados Unidos. À medida que as agências de fiscaliza- ção europeias tomaram consciência da ameaça, em me- ados da primeira década do século XXI, o contrabando directo para o continente tornou-se mais difícil. Os tra- ficantes de cocaína na América do Sul começaram a pro- curar uma zona de preparação das mercadorias no outro lado do Atlântico, e encontraram-na na África Ocidental.

Os traficantes de cocaína da África Ocidental, em particu- lar os do sudeste da Nigéria, estão há muito tempo activos nos mercados mundiais da cocaína, incluindo nos merca- dos a retalho em muitos países europeus. Em 2011, analisando somente quatro países onde existem dados compa- rativos (Alemanha, Itália, Suíça e Portugal), 30% dos es- trangeiros detidos por tráfico de cocaína eram da África Ocidental. O trânsito em pequena escala através da região africana ocidental, essencialmente através dos correios aé- reos, não é algo novo. Mas em meados da primeira déca- da do século XXI, foram feitas várias confiscações de coca- ína consideravelmente grandes ao largo da costa da África Ocidental, e foi detectado um grande número de correios de cocaína em voos da África Ocidental para a Europa. Os mesmos sugerem um fluxo de cocaína de mais de um mil milhão de dólares norte-americanos à chegada ao destino.

 

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