A guerra às drogas mexicana deixou as suas marcas nas crianças. Mais de 30.000 foram envolvidas no crime organizado, de acordo com a Rede de Direitos das Crianças (REDIM).

Estas crianças são pagas pelos gangues de droga para cumprirem papéis menores tais como tráfico de drogas ou vigias, mas algumas têm sido treinadas para matar. Este foi o caso de Edgar Jimenez, de 14 anos, a quem deram a alcunha de “El Ponhis” ou “O Manto”, detido o ano passado. Jimenez foi raptado aos 11 anos e forçado a cometer crimes.

As circunstâncias que conduziram ao envolvimento de crianças no crime organizado variam, de acordo com a história publicada pela CNN. A exclusão social e a marginalidade económica têm um papel forte. Mas também o tem a coerção através de ameaças contra elas e as suas famílias.

Neste sentido, a Rede de Direitos das Crianças incitou o governo a reconhecê-las como vítimas de abuso infantil. Num país onde 30.000 a 50.000 pessoas morreram na “guerra às drogas”, as crianças têm-se tornado órfãs e negligenciadas.

Existe a necessidade de “considerar os danos psicológicos a longo prazo nas crianças, associadas aos elevados níveis de violência e resultante rutura na família, comunidade e estruturas sociais”, de acordo com o artigo de Aram Barra e Daniel Joloy sobre As Crianças da Guerra às Drogas: Perspetivas sobre o Impacto das Políticas das Drogas em Jovens. Se o governo não tomar a responsabilidade de manter os seus direitos, as consequências a longo-prazo não serão apenas sentidas nestas crianças, mas em toda a comunidade.

Como Barra e Joloy concluem, “deve-se responder às drogas como uma questão de saúde pública e de desenvolvimento, em vez de tratar como uma questão de segurança, e apenas se as crianças forem realmente colocadas na frente de políticas de drogas mais eficazes, ao invés de serem deixadas à deriva da violência”.

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