Por: Harm Reduction Internacional

Ao longo da última década foram obtidos ganhos na EU relativamente à infecção do VIH entre utilizadores de droga por via injectável – estes incluem uma grande disponibilização de medidas de prevenção, tratamento e redução de riscos. Outro factores, como o declínio do uso de drogas por via injectável em vários países também são prováveis de ter desempenhado um papel na diminuição dos números de novas infecções por VIH.

Os últimos dados mostram que a taxa média de novos casos de VIH reportado continua a decair na Europa, alcançando uma baixa de 2,85 novos casos por milhão de habitantes em 2009 (no total, cerca de 1300 casos). Aqui, a situação geral da EU equivale positivamente no contexto Europeu global e mais amplo.

No entanto, o presente relatório anual do OEDT nota alguns desenvolvimentos preocupantes relativamente ao VIH nos utilizadores de droga por via injectável.

Em Julho de 2011 a Grécia – historicamente um país com baixa prevalência de VIH – reportou um surto de novas infecções nos injectores de drogas (170 casos no momento da escrita). O aumento recente de novas infecções também foi relatado na Bulgária, Estónia e Lituânia, indicando um potencial continuado de surtos de VIH nos utilizadores de droga por via injectável em alguns países (vide Figura INF-2 no boletim estatístico de 2011). Num recente encontro do OEDT (Outubro de 2011), peritos nacionais notaram outros aumentos entre os utilizadores de droga na Roménia e mudanças potencialmente preocupantes nos factores de risco descritos na Hungria.

Apesar do declínio das infecções por VIH nos injectores de droga na EU ao longo da última década, deve-se evitar a condescendência. A infecção pelo VIH pode-se alastrar rapidamente em populações vulneráveis de injectores, especialmente se a prestação de serviços for baixa. As intervenções (especialmente programas de troca de seringas e agulhas, tratamento de substituição opiácea, diagnóstico e tratamento anti-retroviral) podem ser eficazes na redução do alastramento do vírus nos utilizadores por via injectável. As directrizes europeias conjuntas na prevenção do VIH e outras infecções nos injectores foram lançadas em Outubro de 2011 pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças e pelo OEDT.

A epidemia do VIH nos injectores de drogas continua também a constituir um grave poblema de saúde pública para muitos paíse de fronteira com a EU (vide relatório anual, cap. 7, figura 15) (2). Dentro da EU, a situação financeira actual significa que os orçamentos para os serviços nas drogas serão provavelmente mais escrutinados. É portanto fundamental que os custos financeiros e sociais de potenciais novos surtos de VIH bem com a orientação sobre que tipos de intervenções são mais eficazes nesta área estejam em mente quando se tomam decisões na prestação destes serviços.

Á parte da direcção das tendências ao longo do tempo, a taxa actual de novos diagnósticos de VIH (por milhão de população) em 2009 relacionado com o uso injectado de drogas manteve-se relativamente elevado na Estónia (63,4), Lituania (34,9), Letónia (32,7), Portugal (13,4) e Bulgária (9,7), sugerindo transmissão contínua. O uso de drogas por via injectável é responsável por mais de 2000 mortes relacionadas com a SIDA, por ano, na EU.

A partir do primeiro aviso do surto na Grécia, o OEDT solicitou uma rápida análise da situação relativamente aos últimos dados epidemiológicos e estão a ser tomadas medidas preventivas. Um sumário dessas descobertas podem ser encontradas neste link.

Mantenha-se a par dos desenvolvimentos das políticas das drogas subscrevendo o Alerta Mensal do IDPC.