Depois da operação policial e militar no Complexo do Alemão, grande conjunto de favelas dominado por narcotraficantes durante 20 anos, várias vozes emergiram a favor da legalização das drogas como solução fundamental à violência desencadeada pelo combate ao narcotráfico. Entre essas vozes recorrentes estão a do ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, a do governador do estado do Rio, Sérgio Cabral, a do escritor João Ubaldo Ribeiro e a de muitos outros brasileiros ilustres.

Porém, uma das vozes que mais tem insistido no tema há vários anos é a do coronel reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro e hoje professor universitário Jorge da Silva. Quando ainda atuava como policial e dedicava a maior parte de suas energias para prender "maconheiros" e varejistas, o coronel sentia que estava cumprindo seu dever de policial. Porém, em um dado momento ele começou a perceber que, quanto mais drogas e armas eram apreendidas e mais pessoas iam para a prisão, mais drogas e armas circulavam e mais homens (em sua maioria, jovens, pobres e negros) era preciso prender.

Assim nasceu a semente da dúvida. 'Estou fazendo o certo?', ele se perguntava. Hoje, a palavra “maconheiro” não faz mais parte do seu dicionário, pois, para ele, deixou de ter essa carga moral e preconceituosa que seu trabalho repressivo requeria. Agora, o coronel e professor distingue entre usuários de droga, vendedores de varejo e narcotraficantes armados e diz que é nessa diferenciação que está a chave para uma política de drogas mais eficiente para o Brasil.

Graças a sua experiência no campo, o coronel Jorge da Silva tem hoje a certeza de que a ação repressiva para controlar o uso de drogas não apenas é ineficiente, como gera os graves problemas de segurança pública que países como Colômbia, México e Brasil enfrentam.

Nesta entrevista ao Comunidade Segura, o coronel Jorge da Silva, coordenador de Estudos em Segurança Pública, Polícia e Direitos Humanos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e membro da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD), conta por que deu um giro de 180 graus em sua postura frente ao problema das drogas e adianta alguns dos caminhos alternativos que propõe em seu artigo "Drogas: alternativas à guerra".

Para ler a entrevista com o coronel Jorge da Silva: http://www.comunidadesegura.org/pt-br/MATERIA-menos-moralismo-mais-racionalismo.