É pelo menos expectável que, a partir do próximo verão, os utilizadores de drogas em território nacional venham a dispor de um dispositivo que permitirá reduzir o número de mortes por overdose. A utilização é simples e intuitiva, traduzida num dispositivo de inalação nasal de naloxona, já autorizado no seio das agências europeia e nacional do medicamento. Basicamente, em caso de emergência de overdose, bastará a inalação numa ou em duas vezes, do composto para inalação à base de Naloxona, para que muitas mortes se evitem, numa altura em que Portugal continua a evidenciar registos bem negativos a este nível. Uma das possíveis desvantagens de acessibilidade a este fármaco inovador, é que este dispositivo continuará a ser considerado um medicamento, o que poderá constituir uma barreira à sua mais adequada distribuição e utilização, uma vez que continuará sujeito a prescrição médica. Uma estratégia de distribuição mais direta a utilizadores de opiáceos ou em contextos problemáticos de uso seria provavelmente a forma mais eficaz de chegar a quem mais precisa mas, pelo menos numa primeira fase, o dispositivo deverá ser distribuído através das equipas de rua e outras estruturas de redução de danos, bem como nos CRI (Centros de Resposta Integrada). Dependências foi conhecer melhor esta nova ferramenta terapêutica, numa visita à Companhia Farmacêutica que a está a introduzir no mercado, a Mundipharma.