Por Julita Lemgruber - O Globo

Uma das mais importantes ativistas no movimento negro americano, Deborah Small é formada em Direito e Políticas Públicas pela Universidade Harvard e atua em defesa dos direitos dos pobres e de presos. Há cerca de dez anos, ela criou a organização Break the Chains, com a missão de conscientizar sobre os efeitos negativos da guerra às drogas sobre essa parcela da população. Deborah está no Brasil para uma série de palestras no Rio, São Paulo e Salvador. Nesta quinta-feira ela estará, às 9h30m na Escola de Magistratura, e às 19h, no Centro Cultural da Justiça Federal, ambos no Rio.

Nesta entrevista, Deborah fala sobre política de drogas e avalia o trabalho do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em tradução livre) nos Estados Unidos, um país estremecido pela crescente violência entre policiais e cidadãos afro-descendentes. Ela diz que a guerra às drogas deve ser vista como um sucesso daqueles que a promovem, porque "facilita a criminalização de múltiplas gerações de pessoas pobres e negras". Segundo Deborah, quando as pessoas são classificadas como criminosas por usarem drogas, a sociedade não se sente mais na obrigação de lidar com as condições sociais ou econômicas por trás disso.

Você costuma dizer que a guerra às drogas não deve ser vista como um fracasso, mas como um sucesso. Por quê?

Eu acredito que o principal propósito da guerra às drogas é prolongar o sistema de controle político e de exploração econômica das comunidades negras que está na fundação da riqueza do império anglo-americano e que atua como um agente unificador para muitos americanos brancos. A “guerra às drogas” tem sido um sucesso porque facilita a criminalização de múltiplas gerações de pessoas pobres e negras, além da capacidade de se lucrar com ela através da expansão do complexo prisional-industrial.

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Thumbnail: Flickr CC Johnny Silvercloud