A repressão ao tráfico e uso de drogas como é feita hoje só provoca mais violência. Nunca se gastou tanto nesta "guerra", mas isto não diminuiu o número de usuários e só provocou mais mortes. Iniciativas para legalizar drogas ao redor do mundo podem servir de modelo para o Brasil discutir alternativas. O usuário deve receber tratamento, não cadeia. Afirmações como estas são defendidas por um membro da comissão para políticas sobre drogas da ONU, reunida nesta semana em Viena, na Áustria.

Único sul-americano a participar da cúpula, o professor de psicologia Telmo Ronzani, da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) (foto) discute nesta entrevista como a ciência deve ser aplicada no lugar de políticas populistas sobre o tema e defende a abordagem da questão das drogas como caso de saúde pública, e não de polícia. Ele também alerta para riscos de álcool e tabaco, tratados como drogas "mais leves".

Entre os 45 mil presos em Minas Gerais, a quantidade de detidos por tráfico de drogas cresceu de 20,96%  para 22,04% entre 2010 e 2014, segundo a Seds (Secretaria de Estado de Defesa Social). O Estado abriga atualmente 1,7 preso por vaga. Com a entrada de 4.000 presos por ano no Estado, o investimento necessário para a construção de presídios nunca conseguirá acompanhar a evolução das prisões.

Entre os encarcerados, metade ainda aguarda julgamento (26.462). Enquanto isso, presos por crimes de menor potencial ofensivo, que poderiam cumprir medidas alternativas e trabalhos sociais, convivem e "aprendem" diariamente com autores de crimes hediondos. Entre este detidos, boa parte portava pequenas quantidades de drogas, mas acabaram classificados como traficantes.

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