Este artigo revê o desenvolvimento das abordagens iniciais soviéticas do tratamento de drogas focalizando a luta pelo poder disciplinar entre os principais higienistas sociais e mentais e os psiquiatras clínicos como um momento de definição para a especialidade do tratamento de drogas soviético, que se tornou conhecido como “narcologia”. A partir deste ponto de vantagem, o artigo prossegue no exame do crescimento e queda de vários métodos de tratamento e conceptualizações da dependência nos centros metropolitanos da Rússia e vê como eles foram importados (ou não) de outras repúblicas soviéticas.

Uma vez que os psiquiatras clínicos saíram como vencedores incontestados da batalha com os higienistas sociais e mentais, todo o arsenal “narcológico” foi subjugado para servir as necessidades da psiquiatria convencional. No entanto, o que “convencional” seria, não estava completamente claro.

Quando em 1934 Aleksandr Rapoport insistiu na necessidade de se voltar a trabalhar o conhecimento “narcológico” na linha da abordagem marxista, ele podia apenas levantar questões e reconhecer que não existiam quase nenhuns “dados científicos dialecticamente iluminados” para dirigir essas questões. A manutenção do tratamento para utilizadores de opiáceos, que emergiu como o mais eficaz baseado nos resultados de um estudo de 6 anos publicado em 1936, não estava definitivamente em sintonia com o ambiente político e ideológico dos últimos anos da década de 1930. A manutenção era considerada como uma solução temporária, na ausência de medidas terapêuticas radicais para libertar a União Soviética da “narcomania”.

Quando o Grande Terror varreu a União Soviética, o regime de Estaline alcançou o seu objectivo de eliminar a dependência de drogas da superfície da vida pública ao encaminhar os utilizadores de opiáceos à clandestinidade e detendo muitos deles em prisões e campos de Gulags.

Na secção final são discutidas brevemente as mudanças de percepção do uso de drogas durante a Segunda Guerra Mundial e os esboços das transformações subsequentes nas respostas soviéticas pós-guerra relativamente à dependência de opiáceos.

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